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| Betina Walker, cardiologista do Hospital Santa Rita |
A hipertensão arterial sistêmica (HAS), uma das doenças crônicas mais prevalentes e perigosas da atualidade, é popularmente conhecida como “pressão alta”. Ela afeta cerca de 1,4 bilhão de pessoas no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2024, o equivalente a um em cada três adultos. Silenciosa e, muitas vezes, assintomática, é uma das principais causas de acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença renal crônica.
Segundo a cardiologista do Hospital Santa Rita, Betina Walker, ela ocorre quando a pressão arterial se mantém igual ou superior a 140/90 mmHg em múltiplas aferições. “De acordo com as diretrizes atuais, a pressão arterial considerada ideal é abaixo de 120/80 mmHg. Embora níveis entre 120/80 mmHg e 139/89 mmHg não sejam classificados como hipertensão arterial, eles já representam um sinal de alerta, pois estão associados a maior risco cardiovascular e maior chance de desenvolvimento futuro da doença”, explica.
“A hipertensão é uma condição traiçoeira que pode evoluir sem sintomas por anos, até causar danos irreversíveis. A elevação da pressão força o coração a trabalhar com mais intensidade para bombear o sangue, o que pode danificar os vasos sanguíneos ao longo do tempo e comprometer o funcionamento de órgãos vitais”, destaca a cardiologista.
Estudos epidemiológicos apontam que fatores genéticos, ambientais e comportamentais contribuem para o desenvolvimento da hipertensão. “Ter histórico familiar de hipertensão, idade avançada, obesidade e sobrepeso, além de uma alimentação rica em sódio e pobre em potássio podem desencadear a doença. O consumo excessivo de álcool, o sedentarismo, o tabagismo e o estresse crônico, além de problemas renais e metabólicos associados, como o diabetes tipo 2, também favorecem o surgimento do quadro”, pontua a especialista do Hospital Santa Rita.
De acordo com Betina Walker, a hipertensão é o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares, que seguem como a principal causa de morte no mundo. Apesar de, na maioria dos casos, ser assintomática, quando presentes, os sintomas podem incluir dor de cabeça persistente, tontura, zumbido nos ouvidos, visão turva, dor no peito e falta de ar em estágios mais avançados.
DIAGNÓSTICO – O diagnóstico é feito por meio da aferição sistemática da pressão arterial, com aparelhos validados. O uso do monitoramento ambulatorial da pressão arterial (MAPA) ou do monitoramento residencial da pressão arterial (MRPA) é cada vez mais recomendado para uma avaliação mais precisa. “O rastreamento deve ser realizado regularmente em adultos a partir dos 18 anos, com maior frequência em pessoas que apresentam fatores de risco”, enfatiza a cardiologista.
A médica orienta que algumas recomendações sejam seguidas antes da aferição da pressão arterial. “É importante esvaziar a bexiga, evitar fumar nos 30 minutos anteriores, manter o braço apoiado na altura do coração, pernas descruzadas, não falar durante a aferição e permanecer em repouso por pelo menos cinco minutos antes da medição. Essas precauções são essenciais porque, quando não seguidas, o organismo pode liberar hormônios que interferem nos níveis da pressão arterial.”
A boa notícia é que a hipertensão pode ser prevenida e, quando diagnosticada, controlada com mudanças no estilo de vida e, se necessário, com o uso de medicamentos prescritos por um médico. A prática regular de exercícios físicos, uma alimentação balanceada, o controle do estresse, a redução do consumo de sal - o brasileiro costuma consumir cerca de nove gramas por dia, quase o dobro do recomendado pela OMS -, o abandono do cigarro e uma boa qualidade do sono são medidas fundamentais para prevenir e controlar a doença.
“Pequenas mudanças de comportamento, mesmo diante do silêncio da doença, podem fazer toda a diferença e evitar grandes complicações no futuro. Para pessoas acima de 40 anos, recomenda-se medir pelo menos três vezes por ano (a cada quatro meses). O maior desafio é convencer os pacientes a tratar uma condição que, muitas vezes, não apresenta sintomas aparentes. Porém, ignorar o tratamento pode resultar em consequências graves e até fatais”, alerta Betina Walker.