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| Raphael Zanotti, infectologista do Hospital Santa Rita |
O aumento recente de alertas sanitários relacionados ao hantavírus em diferentes regiões das Américas reacendeu a preocupação de autoridades de saúde sobre uma doença rara, mas potencialmente fatal, transmitida por roedores silvestres. Episódios investigados após mortes por insuficiência respiratória aguda colocaram novamente o vírus no centro das atenções, especialmente diante da facilidade de transmissão em ambientes fechados e contaminados.
Embora incomum, a infecção pode evoluir rapidamente e exige diagnóstico precoce. “O hantavírus continua sendo uma ameaça importante do ponto de vista epidemiológico, principalmente em locais com maior exposição a roedores e pouca ventilação”, alerta Raphael Zanotti, infectologista do Hospital Santa Rita.
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres e capaz de causar uma infecção grave conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. A doença é considerada rara, mas apresenta elevada taxa de mortalidade e exige diagnóstico rápido. No Brasil, os casos costumam estar associados a áreas rurais, galpões, depósitos, celeiros e locais fechados com presença de ratos silvestres. Segundo Raphael Zanotti, “o hantavírus é uma infecção potencialmente grave, mas que pode ser evitada com medidas simples de prevenção e atenção aos ambientes contaminados por roedores.”
A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes no ar. Quando urina, fezes ou saliva de ratos secam no ambiente, partículas microscópicas podem se espalhar durante limpezas, varrições ou movimentação de objetos em locais fechados e pouco ventilados. Dessa forma, sim, o hantavírus pode ser transmitido pelo ar. O contato das mãos com superfícies contaminadas, seguido do toque nos olhos, nariz ou boca, também representa risco. Em situações mais esporádicas, a transmissão pode ocorrer por mordidas de roedores. “O maior risco está na exposição ambiental em locais contaminados por secreções de ratos silvestres”, explica Raphael Zanotti.
Os sintomas iniciais geralmente incluem febre alta, dores musculares intensas, dor de cabeça, cansaço, náuseas, vômitos e dor abdominal. “Após alguns dias, o quadro pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar grave, com falta de ar, tosse, respiração acelerada e queda da pressão arterial. Nos casos mais graves, ocorre insuficiência respiratória aguda, frequentemente exigindo internação em UTI. O hantavírus pode evoluir de forma muito rápida. Febre associada à dificuldade respiratória após exposição a áreas de risco deve sempre acender um sinal de alerta”, afirma o infectologista do Hospital Santa Rita.
O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica, do histórico de exposição do paciente e de exames laboratoriais específicos. Os médicos investigam se houve permanência em áreas rurais, contato com galpões fechados, depósitos ou ambientes com sinais de infestação por roedores. A confirmação é feita por exames de sangue capazes de detectar anticorpos contra o vírus ou identificar material genético viral. “Em doenças infecciosas graves, o contexto epidemiológico é extremamente importante para orientar a suspeita diagnóstica”, destaca Raphael Zanotti.
O tratamento do hantavírus é baseado principalmente em suporte clínico intensivo, já que não existe um antiviral específico comprovadamente eficaz contra a doença. Dependendo da gravidade, o paciente pode necessitar de oxigênio suplementar, ventilação mecânica, controle rigoroso da pressão arterial e internação em terapia intensiva. O reconhecimento precoce e o atendimento rápido aumentam as chances de sobrevivência. “Quanto mais cedo o paciente recebe suporte respiratório adequado, maiores são as possibilidades de recuperação”, ressalta o infectologista.
A prevenção da infecção por hantavírus depende principalmente da redução do contato entre pessoas e roedores. Medidas eficazes incluem manter casas e locais de trabalho limpos, vedar aberturas que permitam a entrada de roedores em edifícios, armazenar alimentos de forma segura, usar práticas de limpeza seguras em áreas contaminadas pelos roedores, evitar varrer ou aspirar fezes de roedores a seco - umedecer as áreas contaminadas antes da limpeza e reforçar as práticas de higiene das mãos”, conclui Raphael Zanotti.