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| Daniel Solino, ortopedista e traumatologista do Hospital Santa Rita, no ES |
O uso de celular está cada vez mais presente na vida das pessoas. E esse hábito começa desde cedo, seja para estudo, lazer ou trabalho. Diante desse cenário, especialistas vêm alertando para um efeito colateral preocupante: os problemas posturais causados pelo uso inadequado desses dispositivos. O chamado “text neck” - pescoço de texto, é um dos efeitos mais comuns e perigosos desse novo comportamento.
De acordo com o ortopedista e traumatologista do Hospital Santa Rita (ES), Daniel Solino, o corpo humano não foi projetado para ficar tanto tempo curvado para frente e essa sobrecarga repetitiva pode levar ao desgaste prematura dos discos intervertebrais, causando dores crônicas, hérnias de disco e até mesmo alterações na curvatura da coluna, ocasionando incapacidade funcional leve a moderada.
Estudos demonstram que a inclinação da cabeça para frente ao olhar para o celular pode aumentar significativamente a carga sobre a coluna cervical. Para se ter ideia, a cabeça humana, numa posição neutra, pesa em torno de 5 kg. No entanto, ao incliná-la num ângulo de 60 graus - posição comum ao usar o celular - essa carga pode chegar a 27 kg.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, aproximadamente, 80% da população do mundo sofrerá, em algum momento da vida, dores lombares. E o uso inadequado das telas é considerado fator de risco crescente, principalmente, entre os jovens. “Entre as regiões mais afetadas estão o pescoço (cervical), ombros, região lombar e punhos.”
Sobre os sintomas mais frequentes, o médico disse que estão as dores na cervical, rigidez, cefaleia (dor de cabeça) e até formigamento nos braços. “O uso contínuo de telas por mais de três horas diárias já apresenta associação significativa com dor na coluna.” A grande preocupação, segundo o profissional, é que crianças entre seis e dez anos já vêm apresentando alterações na flexão cervical ao usar o celular, o que afeta a postura. “Nos adultos que já têm alguma doença pré-existente, como escoliose ou hérnia de disco, o quadro pode se agravar ainda mais.”
O especialista do Hospital Santa Rita ressalta que, além das dores imediatas, o mau uso do celular pode desencadear uma série de complicações ortopédicas, entre elas a retificação da lordose cervical, dores tensionais no trapézio e ombros, compressão de nervos cervicais, redução da mobilidade da coluna, alterações degenerativas precoces.
PREVENÇÃO - A boa notícia é que hábitos simples podem ajudar na prevenção. “O ideal é manter o celular na altura dos olhos, fazer pautas frequentes e evitar longos períodos com o pescoço inclinado.” Ele acrescenta que alongamentos cervicais, exercícios para ombros e região torácica, além de pausa ativa, ajudam a aliviar as dores e prevenir sobrecargas.
“O problema é que os efeitos são cumulativos e silenciosos. Quando a dor aparece é porque, muitas vezes, o dano já está instalado. Assim como aprendemos a proteger os olhos com a luz azul, precisamos agora proteger nossa coluna da má postura induzida pela tecnologia. A educação postural deve começar ainda na infância, dentro de casa e nas escolas. O uso responsável do celular é fundamental para o bem-estar de toda a população, concluiu o ortopedista e traumatologista do Hospital Santa Rita, Daniel Solino.