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Entre cliques e comprimidos: os riscos do uso inadequado de plataformas digitais
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Rafael Appel - Sócios fundadores da Dr. Fisiologia
Rafael Appel - Sócios fundadores da Dr. Fisiologia

O avanço da saúde digital amplia o acesso à informação sobre medicamentos, mas pode aumentar riscos coletivos quando falta letramento e orientação profissional

O uso de plataformas digitais para buscar informações sobre saúde e medicamentos já faz parte do cotidiano da população. Esse cenário acompanha a expansão da saúde digital, definida no capítulo 15 do livro Health Literacy in Medicines Use and Pharmacy (2025) como o uso de tecnologias da informação para apoiar o cuidado e a tomada de decisão em saúde. O próprio capítulo alerta, porém, que essas ferramentas deixam de ser aliadas quando o usuário não tem letramento suficiente para interpretar corretamente as informações.
A revisão publicada na revista Health Policy, que analisou o impacto das tecnologias digitais sob a ótica das desigualdades, aponta que falhas no uso da informação geram consequências coletivas, pressionando sistemas de saúde e ampliando diferenças sociais.
“O risco surge quando o conteúdo digital ultrapassa o limite da orientação geral e passa a substituir o aconselhamento profissional. Plataformas com baixa supervisão, conteúdos sensacionalistas ou recomendação de tratamentos sem evidência científica podem induzir à automedicação, à interrupção de terapias prescritas e até à interação perigosa entre substâncias”, afirma Rafael Appel, farmacêutico e diretor científico da Dr. Fisiologia.
Saúde digital em expansão
Estudo publicado na revista Public Health (2025) mostrou que muitos brasileiros utilizam a internet como uma das principais fontes de informação em saúde, frequentemente antes de procurar um profissional.

Buscar informações online não é, necessariamente, prejudicial. Segundo Rafael Appel, quando o acesso ocorre por meio de fontes confiáveis, pode melhorar a adesão ao tratamento e tornar a consulta mais produtiva. Ele ressalta que a educação digital deve funcionar como suporte, não como substituição do cuidado profissional.
O capítulo da Elsevier sobre tecnologias digitais e letramento em medicamentos destaca que plataformas com conteúdos claros e baseados em evidências fortalecem a literacia em saúde e ajudam o paciente a compreender indicações, doses e riscos.
Quando e por que as plataformas se tornam um problema
As plataformas passam a representar um problema de saúde pública quando estimulam comportamentos de risco relacionados ao uso de medicamentos. A publicação “I Read Health Information Online—Can I Trust It?”, da revista JAMA Internal Medicine, aborda que a desinformação se espalha com facilidade nas redes sociais e pode parecer confiável, sobretudo quando associada a influenciadores, empresas de suplementos ou conteúdos gerados por inteligência artificial.
Rafael sinaliza que o maior perigo está na generalização. Recomendações baseadas em experiências pessoais ou interesses comerciais não consideram a individualidade clínica do paciente, o que pode levar a efeitos adversos, uso desnecessário de substâncias e abandono de terapias prescritas.
Segundo o mesmo artigo, tendências envolvendo medicamentos e produtos “naturais” podem provocar interações perigosas e efeitos adversos, especialmente quando o usuário ignora histórico clínico, outras medicações em uso ou condições específicas. Em larga escala, isso pode resultar em aumento de intoxicações, falhas terapêuticas e maior demanda por atendimento.
“Vivemos uma era em que vídeos virais e ‘dicas de saúde’ se espalham mais rápido do que alertas técnicos. A automedicação baseada em conteúdos de baixa qualidade digitaliza um problema antigo, agravando riscos como uso incorreto de doses, combinações perigosas e atrasos no diagnóstico”, informa Appel.
A revisão publicada na revista Frontiers in Digital Health também aponta desafios relacionados à confiança nas plataformas, clareza das informações e proteção de dados, reforçando que a tecnologia, por si só, não garante qualidade no cuidado.
Letramento em medicamentos
O letramento em medicamentos — capacidade de compreender para que serve um remédio, como usá-lo e quais riscos estão envolvidos — é central nesse debate. No ambiente digital, essa habilidade se torna ainda mais necessária para evitar decisões precipitadas. “Ele não só empodera o indivíduo, mas também protege contra decisões precipitadas e riscos evitáveis, especialmente quando a informação circula em ambientes não supervisionados”, alerta Appel.
O estudo brasileiro publicado na Public Health mostrou que habilidades digitais variam conforme idade, escolaridade e contexto socioeconômico. Pessoas com menor escolaridade ou acesso limitado à internet tendem a ter mais dificuldade para avaliar a confiabilidade das informações online.
Appel recomenda que o paciente verifique se o conteúdo apresenta autoria identificada, referências científicas e menção a órgãos reguladores, como Anvisa ou OMS. A ausência de apelos comerciais exagerados também pode indicar maior credibilidade.
A revisão da Health Policy reforça que tecnologias digitais podem reduzir ou ampliar desigualdades, dependendo de como são implementadas. Sem políticas de inclusão digital e educação em saúde, o ambiente online pode aprofundar disparidades no cuidado.
O lado positivo das plataformas digitais
O capítulo publicado pela Elsevier destaca que ferramentas digitais fortalecem o letramento em medicamentos e apoiam a adesão ao tratamento, especialmente quando oferecem explicações claras, lembretes e acompanhamento remoto.
O farmacêutico destaca que o principal benefício do acesso à informação é a independência. Pacientes mais bem informados participam de forma ativa das decisões sobre sua saúde e desenvolvem maior autonomia. O desafio, segundo ele, é transformar excesso de dados em conhecimento útil.
Aplicativos e recursos digitais podem ajudar pacientes com doenças crônicas a manter rotinas terapêuticas organizadas. A revisão da Frontiers in Digital Health indica que, quando confiáveis e integradas ao cuidado profissional, as plataformas aumentam o engajamento e a sensação de autonomia.
O papel do farmacêutico e da regulação
No debate sobre medicamentos no ambiente digital, o farmacêutico atua como mediador entre informação e prática segura. O capítulo sobre tecnologias digitais e letramento em medicamentos reforça que profissionais de saúde são essenciais para transformar informação em uso racional, ajudando pacientes a interpretar corretamente conteúdos encontrados online.
Além disso, tanto a revisão da Health Policy quanto a análise da Frontiers in Digital Health ressaltam a necessidade de governança, transparência sobre interesses comerciais e proteção de dados sensíveis. Sem essas medidas, as plataformas podem priorizar a visibilidade em vez de segurança.
“O farmacêutico ocupa uma posição estratégica como educador em saúde. No ambiente digital, seu papel vai além da dispensação de medicamentos: ele atua como curador de informações, tradutor técnico e guardião da segurança do paciente”, conclui Appel.



Assessoria de Comunicação da Dr. Fisiologia
Aline Nascimento
E-mail: assessoria@drfisiologia.com.br
Celular/WhatsApp: (16) 99136-5048

Editorias: Economia  Industria  Negócios  Saúde  Terceiro Setor  
Tipo: Artigo  Data Publicação: 02/04/26
Fonte do release
Empresa: Dr. Fisiologia  
Contato: Aline Nascimento  
Telefone: 16-991365048-

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