O câncer é a primeira causa de morte por doença de crianças e adolescentes de até 19 anos no Brasil, conforme o INCA (Instituto Nacional de Câncer). Nesta quinta-feira (15), é o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil e a médica pediatra Sandra Coenga fala como a doença atinge as crianças e como o tratamento ajuda a salvar vidas.
A médica explica que, hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos pela doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e receberem o tratamento adequado.
“A criança não tem um quadro definido de câncer como no adulto. Qualquer sintoma que perdure por mais de duas semanas deve ser investigado e pensado em câncer. Pode ser uma febre, cefaleia, um vômito matinal em jato sem explicação. O indicado é sempre procurar atendimento médico onde a criança possa ser examinada”, afirma a pediatra, que também é professora do IDOMED.
Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infantojuvenil geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Entre os tipos de câncer mais comuns, Sandra destaca as leucemias, os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas.
De acordo com a médica pediatra, na criança e no adolescente, raramente é possível a prevenção primária do câncer, pois os fatores ambientais exercem pouca ou nenhuma influência. “A única medida efetiva de prevenção primária para impedir o desenvolvimento do câncer na faixa etária pediátrica é a vacinação contra hepatite B e contra o papilomavírus humano (HPV)”, explica.
A professora do IDOMED explica que é fundamental atuar na prevenção secundária, ou seja, no diagnóstico precoce.
“É importante realizar ações que visem a contribuir para o diagnóstico precoce do câncer, como orientar os pais na observação de pequenas alterações na criança como: estrabismo, um nódulo (caroço) no pescoço que aparece subitamente sem ou com febre, massa na barriga da criança percebida durante o banho, dor ao pegar nos membros da criança, febre por mais de duas semanas de origem obscura, o não aparecimento do sinal vermelho nos olhos da criança quando bater uma foto, por exemplo, ou um ‘teste do olhinho’ alterado”, finaliza Sandra Coenga.