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Com IA dentro da sala de aula, educação precisa rever a forma de ensinar e avaliar
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Com IA dentro da sala de aula, educação precisa rever a forma de ensinar e avaliar
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Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior, avalia que o novo referencial do MEC ajuda a enfrentar um cenário em que a IA já está presente na rotina de estudantes e professores, enquanto escolas e universidades ainda precisam avançar na criação de regras, na revisão das avaliações e na formação para o uso crítico da tecnologia

A inteligência artificial já entrou na sala de aula e começa a mudar a forma como estudantes aprendem, professores trabalham e instituições de ensino avaliam o conhecimento. O avanço das ferramentas capazes de produzir textos, responder perguntas, analisar informações e personalizar conteúdos coloca a educação diante de uma questão que vai além da tecnologia: como ensinar e avaliar em um cenário no qual a IA já faz parte da rotina acadêmica?

A discussão ganhou um novo capítulo com o lançamento, em março deste ano, do Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação, do Ministério da Educação (MEC). O documento reúne orientações para a adoção da tecnologia em escolas e instituições de ensino superior e aborda temas como formação de professores, integridade acadêmica, proteção de dados, acessibilidade, inclusão e governança.

O desafio, porém, é que a tecnologia vem avançando em um ritmo maior do que a criação de regras para seu uso. Um estudo realizado com mais de 150 Instituições de Educação Superior (IES) identificou que apenas sete declararam possuir diretrizes formais específicas para o uso de inteligência artificial. Entre docentes e gestores de instituições públicas, 73,8% afirmaram não saber da existência de medidas regulatórias internas sobre o tema.

Para o professor Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior e avaliador do Inep/MEC, o cenário mostra que as instituições precisam deixar de tratar a IA apenas como uma ferramenta tecnológica e começar a discutir seus efeitos sobre o processo educacional. “Estamos saindo de um momento em que muitas instituições observavam o avanço da inteligência artificial sem saber exatamente como responder. Os dados mostram que a tecnologia avançou mais rápido do que a capacidade das instituições de criar regras internas”, afirma.

Segundo Esteca, o novo referencial do MEC ajuda a organizar essa discussão. “Não se trata apenas de discutir ferramentas, mas de repensar práticas pedagógicas, avaliações, formação docente e responsabilidades institucionais.”

IA não substitui o professor

O referencial estabelece a centralidade do educador no processo de aprendizagem. A inteligência artificial pode ser utilizada como ferramenta de apoio ao planejamento pedagógico, em atividades administrativas e na personalização do ensino, mas não substitui a atuação do professor. A proposta também amplia a discussão sobre alfabetização digital: estudantes precisam aprender não apenas com a inteligência artificial, utilizando seus recursos no processo educacional, mas também sobre a tecnologia, com capacidade para compreender seu funcionamento, identificar possíveis vieses, verificar informações e entender como os dados são utilizados.

“Um dos principais desafios será preparar professores e estudantes para uma relação mais crítica com essas ferramentas. Não basta saber utilizar uma plataforma ou escrever um comando. É preciso questionar a resposta produzida, identificar erros, compreender limitações e avaliar os impactos éticos daquele uso”, alerta Esteca.

Avaliação entra no centro da discussão

O professor explica que na educação superior, um dos impactos mais imediatos da IA aparece nos modelos tradicionais de avaliação. “Se uma ferramenta consegue produzir, em poucos segundos, um texto, uma resposta ou uma análise, instituições precisam encontrar novas formas de verificar o que o estudante realmente aprendeu”. Para ele, a discussão não deve se limitar à tentativa de descobrir se um trabalho teve auxílio de inteligência artificial ou não. “A questão central é: como avaliar efetivamente aquilo que ele aprendeu?”, questiona.

Nesse cenário, o referencial aponta para a importância de avaliações que considerem processos, argumentação, pensamento crítico, participação e trabalho colaborativo. Esteca mostra que na pesquisa acadêmica, por exemplo, a IA também pode auxiliar em atividades como revisão de literatura e análise de dados, “desde que seu uso seja informado de forma transparente”.

Instituições terão de criar suas próprias regras

Outro ponto do documento do MEC é a necessidade de estruturas internas de governança. A orientação é que as instituições estabeleçam diretrizes próprias e envolvam profissionais de diferentes áreas na discussão sobre o uso da inteligência artificial. Para Esteca, essa será uma das principais tarefas de escolas, universidades e faculdades nos próximos anos.

“Cada instituição precisará olhar para a sua realidade e definir limites, responsabilidades e possibilidades de uso. A ausência de regras pode gerar problemas relacionados à privacidade, à proteção de dados, à integridade acadêmica e até à desigualdade de acesso. A IA já está dentro das salas de aula. A questão agora é como as instituições vão organizar essa presença.”

Formação começa antes da chegada à escola

O desafio também alcança a formação dos futuros professores. Cursos de licenciatura e pedagogia terão papel estratégico na preparação destes profissionais que encontrarão, nas escolas, estudantes cada vez mais familiarizados com ferramentas de inteligência artificial.

A necessidade, segundo o especialista, não é apenas ensinar futuros educadores a utilizar essas tecnologias, mas prepará-los para analisar seus limites, riscos e impactos sobre a aprendizagem. “A inteligência artificial pode contribuir para personalizar conteúdos, ampliar recursos de acessibilidade e apoiar diferentes etapas do processo educacional. Mas seu uso precisa estar vinculado a um projeto pedagógico. Tecnologia, por si só, não melhora a educação. O resultado depende da forma como ela é incorporada e das pessoas que estão por trás dessas decisões”, conclui.

Sobre o especialista

Antonio Esteca é graduado e mestre em Ciência da Computação pela UNESP, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ e doutor em Psicologia pela PUC-Campinas. Atua no ensino superior desde 2013, com experiência em docência, gestão acadêmica, inovação educacional e desenvolvimento institucional. É avaliador institucional do INEP/MEC e acompanha de perto temas relacionados à qualidade e às transformações da educação brasileira. Atualmente, destaca-se também como uma das 10 vozes de maior influência no LinkedIn no mundo na área da Educação Superior. Em sua pesquisa de doutorado, dedicou-se ao estudo da prevenção do bullying e do cyberbullying no contexto escolar, tema que dialoga diretamente com a formação de educadores e com a promoção de ambientes escolares mais seguros e saudáveis. Atualmente, é CEO e Diretor-Geral da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP), da Faculdade Metropolitana de Franca (FAMEF) e da Faculdade de Tecnologia, Ciências e Educação (FATECE).

Mais informações: http://www.linkedin.com/in/antonioesteca

Editorias: Educação  Informática  Internet  Industria  Sociedade  
Tipo: Pauta  Data Publicação: 31/08/26
Fonte do release
Empresa: Verbo Nostro Comunicação Planejada  
Contato: Verbo Nostro Comunicação Planejada  
Telefone: 16-36108659-

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