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Previsibilidade e eficiência são diferenciais da construção industrializada
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Seminários AsBEA-SP segue com sua programação nesta quinta no Modern Construction Show - Foto: WTF
Seminários AsBEA-SP segue com sua programação nesta quinta no Modern Construction Show - Foto: WTF

Modern Construction Show se encerra nesta quinta-feira (1/10), reunindo os sistemas construtivos industrializados, novas tecnologias e um público altamente qualificado

A construção industrializada pode chegar ao mesmo custo da convencional quando são considerados os ganhos obtidos ao longo da execução da obra. A avaliação foi apresentada por Roberto Clara, diretor de Engenharia do Grupo Lucio, durante o painel “Previsibilidade como diferencial da industrialização”, que abriu os Seminários AsBEA-SP, no Modern Construction Show, que se encerra nesta quinta-feira (1/10), no Distrito Anhembi, em São Paulo. Ao apresentar o case de um estacionamento, o executivo explicou que a solução industrializada chegou a ser estimada inicialmente em 15% acima da convencional, mas, ao final, os benefícios proporcionados pelo sistema equilibraram os custos das duas alternativas.

“O custo depende da obra, mas também do tamanho da empresa, e sofre interferência do custo de canteiro e escritórios”, afirmou Clara. Para ele, a adoção da industrialização exige também uma mudança na abordagem comercial das construtoras. “A construtora precisa saber vender a construção industrializada para o cliente”, destacou.

Outro exemplo apresentado no painel foi o edifício comercial eWood, desenvolvido pela HTB, que utilizou madeira engenheirada. Adriana Nunes Machado, superintendente ESG e Desenvolvimento de Negócios da empresa, ressaltou que a industrialização precisa ser considerada desde a etapa de projeto para que seus benefícios sejam efetivamente incorporados ao empreendimento. Segundo ela, a previsibilidade permite antecipar decisões, reduzir perdas de materiais e resíduos e aumentar a confiabilidade dos prazos de execução. A experiência reforçou, em sua avaliação, a importância de um mercado mais maduro, da repetitividade e do fortalecimento de uma rede integrada entre os diferentes elos da cadeia.

Na abertura do painel, Edison B. Lopes, sócio da ArGis Arquitetura e Gestão Integrada, apontou que os desafios e os ganhos com a industrialização, a redução de impactos ambientais e a menor geração de resíduos. Já Márcia Menezes, diretora da Unidade de Projetos Especiais, Inovação e Tecnologia do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), apresentou um panorama dos sistemas industrializados e seus aspectos de sustentabilidade.

BIM, automação, fabricação digital e sistemas pré-fabricados aproximam cada vez mais arquitetos, projetistas e indústria, em um processo que busca combinar produtividade, qualidade, redução de resíduos e liberdade criativa. No debate sobre “Passado, presente e industrialização”, Cesar Shundi Iwamizu, professor de Projeto de Arquitetura da FAU/USP, afirmou que a relação entre arquitetura e indústria precisa fazer parte da própria estrutura de desenvolvimento dos projetos.

Alexandre Kröner, mostrou na prática como essa transformação ocorre nos projetos com treliças de madeira e sistemas padronizados para residências. Com a adoção do modelo BIM e de conceitos de Carpintaria 4.0, componentes podem ser parametrizados e codificados dentro do modelo digital, estabelecendo uma conexão mais direta entre projeto, detalhamento e fabricação.

Na avaliação de Márcio Porto, sócio-diretor da Sidônio Porto Arquitetos Associados, redução de resíduos e adaptabilidade estão entre os ganhos proporcionados pela industrialização. Ele sintetizou o atual desafio da pré-fabricação em três fatores centrais: custo, prazo e qualidade, que precisam estar associados à integração do empreendimento com a natureza e seu entorno.

Compatibilização vira peça-chave para industrializar a construção

Marcelo Bianco, professor de Sistemas Estruturais da Escola Politécnica da USP, disse que se antes o desenho era produzido para ser interpretado por pessoas, hoje as informações também precisam ser compreendidas por máquinas e sistemas digitais. "Essa evolução aumenta a capacidade produtiva e amplia as possibilidades disponíveis para os projetistas. No entanto, mais possibilidades de decisão significam também maior responsabilidade e exposição a riscos".

Os sistemas prediais precisam acompanhar tanto a industrialização das edificações quanto a crescente demanda por sustentabilidade e eficiência energética, segundo Jorge Chaguri, presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (Abrasip), que lembrou que o setor enfrenta mudanças no perfil das famílias, apartamentos menores, edifícios mais altos, necessidade de otimização de custos, incorporação de novas tecnologias e projetos arquitetônicos cada vez mais sofisticados. "As decisões tomadas durante o projeto têm impacto direto na obra e na vida dos usuários", ressalta.

Marcos Addor, sócio-diretor da Addor Associados, destacou que a racionalização é uma das etapas mais complexas da integração técnica, porque o conhecimento necessário para uma edificação está distribuído entre inúmeros especialistas. Em determinados empreendimentos, coordenar cerca de 70 disciplinas pode fazer parte do desafio. “Integrar é uma vantagem competitiva, desde que todos estejam na mesa com previsibilidade e industrializar é uma decisão do projeto.”

Novos papéis e novas responsabilidade

A industrialização da construção está transformando não apenas os processos produtivos, mas também os papéis e as responsabilidades de arquitetos, engenheiros, projetistas, construtores e demais agentes da cadeia. “Precisamos pensar como podemos estruturar nossos escritórios para lidar com as responsabilidades”, destacou Gustavo Garrido, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura de São Paulo (AsBEA-SP).

De acordo com Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação ou Administração de Imóveis Residenciais ou Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) a industrialização demanda uma mudança de lógica, com antecipação das decisões, planejamento e integração de toda a cadeia. Por isso, encontra obstáculos no perfil predominante das empresas do setor, marcado por negócios de pequeno porte, estruturas familiares e menor acesso a crédito.

Maurício Linn Bianchi, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) destacou a importância de ferramentas como o Building Information Modeling (BIM), assim como da formação de uma nova geração de projetistas para atuar com sistemas construtivos industrializados.

O avanço do setor, segundo Robertto Freitas, vice-presidente da AsBEA-SP e representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP), depende da aproximação entre as entidades e da redução da distância entre teoria e prática.

O Modern Construction Show é realizada pela Francal e está apresentando tecnologias e novidades do setor e uma programação de conteúdo com temas relacionados à produtividade, pré-fabricação, construção metálica, madeira engenheirada, BIM, inteligência artificial, sustentabilidade, Lean Construction e integração entre sistemas.

Sobre o Modern Construction Show
Data: 29 de setembro a 1 de outubro de 2026
Horário: 13h às 20h
Local: Distrito Anhembi/SP
Credenciamento gratuito: https://modernconstructionshow.com.br/

Sobre a Francal

A Francal foi fundada em 1969, na cidade de Franca, no interior de São Paulo. Atualmente, conta com um portfólio de 16 eventos e, há 56 anos, contribui para o fomento do desenvolvimento econômico e social do país. Maior promotora de eventos 100% brasileira, a Francal atua em 15 diferentes setores, conectando a indústria brasileira ao varejo e a importadores dos cinco continentes. Reúne negócios, conhecimento, soluções e serviços para o B2B, sempre em sintonia com as demandas de um setor em constante transformação.

Editorias: Construção e Arquitetura  Economia  Industria  Negócios  
Tipo: Pauta  Data Publicação: 01/10/26
Fonte do release
Empresa: MECÂNICA DE COMUNICAÇÃO  
Contato: Noemi Oliveira  
Telefone: 11-32596688-

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