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Cultura e Diversidade
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Em anos recentes, a aceleração da industrialização e do agronegócio trouxe a nós paranaenses uma experiência interessante. Passamos a receber milhares de “forasteiros”, que, numa visão catastrofista, descaracterizariam nosso modo de viver e de pensar, e “colocariam nossa cultura em perigo”.

Estas pessoas passaram a fazer parte de nossa comunidade, e a contribuição que trouxeram foi acrescentada à nossa forma de ver o mundo, nosso conhecimento sobre tradições e folclore foi ampliado, nossa cultura e educação tornaram-se mais amplas.

Em ambientes acadêmicos a discussão sobre inclusão tem se intensificado de alguns anos para cá, exatamente pela observação das consequências positivas ou negativas de comportamentos sociais mais inclusivos ou excludentes. Todas as pesquisas parecem levar a uma mesma conclusão: não existem diferentes raças, só há a humana. A cultura humana é infinitamente maior do que qualquer cultura local, e a contém.

O que chamamos de nossa cultura é irmã siamesa de nossa história, que está sendo permanentemente refeita. Somos todos estrangeiros com a exceção dos indígenas autênticos. Todos nós, ou nossos avós, somos adventícios, todos somos forasteiros, todos viemos de outros lugares. Todos nós, ou nossos avós, vimos nessa terra o chamado da oportunidade; todos nós, ou nossos avós, de alguma forma fomos atendidos.

O que chamamos de cultura local é o amálgama das culturas de todos os povos e de todas as etnias que nos constituem. O malfadado conceito de “pureza”, racial ou cultural, morre no momento em que nasce em nossas terras. O mito do paranaense refratário a tudo que venha de fora não resiste ao confronto com a realidade, e nisso está a nossa maior força, o melhor do que somos.

As grandes correntes migratórias, os êxodos, as buscas, as descobertas. A curiosidade pelo que existe além da curva da estrada (talvez um poço, e talvez um castelo, e talvez apenas a continuação da estrada... disse Fernando Pessoa); ou o horror da fome e da destruição, tudo nos impulsionou ao movimento. A civilização e as culturas foram construídas em movimento, e as fronteiras são barreiras falsas; quando os tempos são difíceis o medo parece ter tudo, e do medo se fazem os pequenos ódios, a pequena mesquinhez, a pouca humanidade, a magra solidariedade. E as grandes tragédias.

A congada se contar com a participação de nisseis e polacos não será menos autêntica; o barreado só tem a ganhar com um toque francês; o fandango de Paranaguá quase implora pelas dançarinas alemãs; as danças circulares dos festivais Bon Odori de Maringá e Assaí ficam infinitamente melhores com o requebro das mulatas. Somos ricos porque temos diversidade, seremos muito melhores quanto maior for a heterogeneidade.

Nesse mesmo momento povos inteiros estão em fuga; suas terras estão conflagradas, hostis, inabitáveis. Pedem o direito de santuário em outros torrões, e poucos conseguem; o chauvinismo parece vencer o humanismo. As “ameaças” às tradições locais assustam, e os que chegam não são bem vindos.

Atravessamos uma fase de descrença nas instituições e de aumento de violência em setores da sociedade mais vulneráveis a doenças, drogas e desconfiança em relação aos circunvizinhos, reflexão sobre o que nos torna humanos é indispensável. E, quanto mais convivemos com o diferente, tanto mais aceitamos formas de procedimento diversas das nossas sem agredir nossos direitos individuais, tanto mais compreendemos o outro com abrangência e solidariedade, melhor nosso sistema educacional, mais fácil e pacífico viver em sociedade.

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

Editorias: Educação  
Tipo: Artigo  Data Publicação: 09/10/15
Fonte do release
Empresa: Julia Nascimento  
Contato: Julia Nascimento  
Telefone: --

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